REDES "SOCIAIS"
Com isso de criar o site, acabei tomando vergonha na cara e dando uma faxina, uma polida e uma lapidada em todas as minhas redes sociais. Acho patético chama-las assim hoje em dia. Eu só tenho usado o Reddit, e mesmo assim, lá só se socializa por acidente. Acho triste como a maioria das pessoas naquele lugar não sabe conversar como se em um bar ou uma rodinha de maconha, e então me dou conta de que essas pessoas provavelmente nunca estiveram em um bar ou em uma rodinha de maconha.
Eu cuidei do Instagram minimamente. Ainda tinha uma música no perfil como indireta que eu mandei em 2023! Cochise. E verdade seja dita: que injustiça! Ela se salvou sem jogar nada em mim... Retirei também a piada quanto a meu saudoso emprego no posto. Deixei o lugar apresentável como o escritor responsável que eu quero parecer ali. Uma coisa eu tenho que admitir quanto ao carro chefe da Meta. A entrega dos reels é fluida e orgânica. Mesmo com apenas 200 seguidores de uma conta pessoal, e sem botar moeda, tive 5000 views em apenas três dias, nas duas vezes que postei, sem nem ser ativo na plataforma. Lógico que meus amigos e familiares apoiam em peso, e também tenho que agradecer a página BC MIL GRAU que respostou os vídeos dos meus livros, mas mesmo assim o Zuckerberg também merece agradecimento por isso. Se os reels em si não estivessem colaborando ativamente para o declínio da sociedade contemporânea eu agradeceria mais. No entanto, é bom lembrar que mesmo sem Instagram os vídeos curtos estão em toda a parte.
Eu lembro de estar online no dia que o Instagram foi lançado e não dar meia foda. Achei que nunca iria para a frente uma rede social de postar fotos do rolê do jeito que era a proposta. Que, entre outras coisas, a humanidade não sacrificaria assistir um show pra ficar segurando um celular apontando pro palco, pra gerar um vídeo que nunca verá outra vez, e que terá em versões muito melhores no YouTube de toda forma. Já o Facebook foi the parada. Quando começou foi avassalador. O My Space já era pica, mas era nichado demais. Não queria ser global e meio que a graça era essa. Já o Facebook trouxe pro brasileiro médio a sensação de viver na gringa.
Começou pra mim de forma muito maneira. Eu já era assíduo no Twitter (já vamos a isso), e via o pessoal falando. Eu ainda gostava e usava muito o Orkut (também vamos a isso), então protelei. Acontece que em 2010 comprei em uma promoção o "Bilionários por acaso, a criação do Facebook" e adorei! O ritmo da história me pegou. O jeito que eles viviam. Eu tinha meus 18 anos, acredito. Estava fazendo cursinho. Idolatrei foda. Lembro que estava lendo na sala, pela manhã, a parte que o Saverin tem suas ações dissolvidas. Fiquei perplexo foda! Raro um livro dar isso. Não esperava isso deste, em especial. E logo então, outra raridade: um filme sobre o livro, que é ainda melhor do que a obra original. Puta que pariu, como eu adoro o "A Rede Social"! Agora que o Tarantino elogiou, todo mundo gosta, mas eu desde o dia 01 paguei um pau fodido. Aqueles filmes de antigamente que a gente fazia o download e não deletava até ter visto 3 ou 4 vezes. Gostei mais do que gostei de Inception e 500 dias com ela, o triumviratum dos cinéfilos de internet no começo dos anos 10.
Fiz a conta logo um mês antes de entrar na faculdade. Aí mil picas. Tinha o "melhores do twitter" em que eu aparecia direto, o que me deu uma visibilidade fodida. Sem falar que o povo de Barão queria ver os trem meu em Mariana, e o povo de Marina stalkear como era em Barão. Por um tempo uniu bem o útil ao agradável, até ser a vez do inútil e do desagradável. Tive fases. Os 3 primeiros anos lá foram maneiros nessa vida dupla, tripla, se contar a vida digital per se. Também escrevi uns poucos textos (a maioria ocultei agora por discordar completamente de mim e não querer ver fora de contexto) e muitos posts engraçados. A maioria dos comentários dos meus amigos sumiu junto com as contas deles. Boa parte das garotas também. Uma pena. Tanto tempo se passou que seriam belos documentos históricos, não material de fofoca ou julgamento... pelo menos pra mim rs.
2014 não usei internet, praticamente. E pro Facebook mesmo só fui voltar em 2017. Aí já completamente deslocado. Me senti mais velho do que me sinto agora. Lembro de em 2016 conversar com uma novinha lindinha demais, amiga do meu irmão, que eu fiquei lá, e ela não me dar bola. Não render assunto. Achei normal, mesmo tendo dado química quando a gente se pegou. Acontece que a vi pessoalmente depois, e ela estava toda calorosa. A questão era que pra geração dela, a parada de conversar online era algo pra chegar sempre a um fenecimento, enquanto para mim, era manter uma conversa eterna. Cogitei que ela pensou que eu estivesse querendo algo sério, a idealizando, mas não era nada disso. Ela simplesmente queria terminar a conversa sempre porque o celular era usado pra tudo.
Com isso falo do MSN. Puta que pariu! Que privilégio tivemos! No MSN todo mundo, mesmo quem ficava sempre "aparecer como offline", estava sentado, de frente a um PC, quase todos em uma espécie de cyber altar no meio da sala, dispostos a ter conversas, sem competir com vícios em vídeos com níveis ssj 3 de dopamina. E olha que a pornografia já comia desembolada e sem censura nessa época. Criaram algo pior.
Tão bom quanto era o Orkut. A combinação Ortkut e MSN nunca foi superada. Nunca. Nem nos melhores dias de Twitter e Facebook, antes das eleições de 2014 estragarem a internet no Brasil pra sempre. Individualmente talvez só as IAs do segundo semestre de 2025 criaram uma época virtual tão boa, mas como sociedade nada irá se comparar. Ter acesso a esse combo dos meus 14 aos 19 foi um presente maravilhoso! Posso ter nascido muito tarde pra lutar com espadas, e muito cedo pra já ter transado com uma androide elfa, mas pra apreciação da rede mundial de computadores, nasci exatamente no dia certo.
O Orkut, assim como MSN, não tenho mais pra atualizar. Até tive uma experiência de revival dele no novo orkut, na pandemia (beijo, Nicol!), mas não seria possível. É outro mundo. Somos outra sociedade. O Orkut também teve seus momentos e nichos, especialmente pra mim que fui emo. Mas mesmo antes disso. Mesmo no começo. No Orkut teve o "mundo fake", que foi uma experiência à parte da realidade. Onde pude experimentar e treinar muita coisa. Conhecer muitas garotas maravilhosas, e que grande parte conheci pessoalmente ao longo dos anos. Além de me fazer um escritor melhor por passar tanto tempo escrevendo coisas tão complexas e sentimentais em tempo real. Sem falar em toda boa e velha putaria.
Mas o Orkut em si era mais do que isso. Lógico que foi o auge do flerte pra minha geração. Facilitou demais! Mas, convenhamos, pra isso o site era um "conseguidor de MSN". O Orkut era maneiro porque foi a primeira vez que você via a vida das pessoas estando dentro da sua casa. E a via de verdade. Não tinha isso de ambiente "orkutizavel", eram fotos com flash estourado na cara, sem efeito, em lugares normais, situações normais. Ah como era melhor e mais saudável! Até a beleza das pessoas variava mais. As pessoas normais não se achavam feias, e mesmo as feias achavam fontes pro seu ego. Mas foda-se isso. O melhor eram as comunidades! Eu vivi na Slipknot Brasil, que foi basilar na minha formação enquanto homem. Mais de vinte pessoas, fácil, que me inspiraram de muitos jeitos, e me influenciaram, de uma forma que sempre serei grato. Além disso, as comunidades eram minas de ouro pra achar download de tudo que se queria. Filme, séries, cds. Não temos nada nem perto disso hoje. E parece difícil que tenhamos outra vez. Sendo mais fatalista do que pessimista, mais estoico do que niilista.
Tentei recriar esse ambiente de grupo no Facebook. Principalmente durante a covid. Em alguns poucos dias funcionou. Em alguns poucos lugares. Mas não deu. Principalmente na pandemia, em que todo mundo estava já meio maluco, não rolou. Sem falar que essa polarização de esquerda x direita é nojenta demais. Seria tolerável, se geralmente as pessoas discutindo, de qualquer um dos lados, soubessem do que estão falando. Quase deletei. Ainda bem que não o fiz, pois para ajudar escritores ainda é um lugar aceitável. Foi lá que eu conheci minha maravilhosa capista, já em 2024, e desde então eu não entrava. Como é meio que uma cidade fantasma, achei por bem não chamar a atenção fazendo posts ou trocando foto. Mas pelo menos apaguei coisas sem sentido, e deixei de um jeito que quem me vir lá hoje, consegue me achar aqui no site, por exemplo.
Reddit. Instagram e Facebook. O normal seria agora ir pro Twitter, ou pro X, chame você de éx ou xís. Mas nem se literalmente me pagassem! Não existe lugar pior na internet. E não por causa do Musk. Seria ainda pior sem ele, não duvidem. O Twitter era um lugar foda quando começou. Até o botão de retweet tudo era ótimo. A gente chegava lá e "estou fazendo um nescau", "hoje é miojo tomate suave da turma da monica", "odeio ir pra aula". Depois melhorou! Foi a época mais engraçada da internet, pra mim. Eu mesmo passei centenas de dias só fazendo graça. Zoando tudo. Inclusive coisas que jamais zoaríamos pessoalmente. Éramos todos personagens ali, mesmo que sem perceber. Em 2010, nas eleições, já piorou bastante. E em 2014 já ficou impraticável. Em 2013 com a piada do "gigante acordou" eu já tinha pulado fora, por mais que tivesse mais seguidores do que todo mundo na cidade, ou no meu campus da faculdade, por exemplo. Esse foi o fim do velho oeste na internet, não fiquei pra ser enforcado.
Daí pra frente tudo que veio do Twitter eu evito, e não poderia querer evitar mais. Mesmo o certo dito lá, mesmo quem tem razão discursando lá, acaba sendo usado contra a sua vontade e entendido a bel prazer alheio. Ninguém mais está lá para se divertir. É proibido ser feliz. Sem falar na quantidade de gente que ninguém dá ouvidos na vida real, que descarrega no Twitter toda a merda que tem na cabeça (que geralmente colocaram na cabeça dela), pensando que o resultado será diferente. Estou de boa daquele lugar.
Eu gostava para um caralho do Tumblr. Tive um antes da faculdade. Um período que eu estava especialmente deprimido em 2010, no começo de um monte de coisas certas e erradas na vida. Não faria sentido voltar lá dezesseis anos depois. Eu levaria um ano pra entender o que está acontecendo, e provavelmente não gostaria do entendimento. Sinto mais falta ainda do meu Fotolog! Ah como era bom postar uma foto emo e escrever textos que me faziam sentir o próprio Bukowski antes mesmo de ter lido Bukowski.
Eu chamo aqui de site. Eu paguei o domínio, e me sinto mó adulto de ter um .com.br, mas utilizo o blogger como tecnologia. É exatamente o mesmo lugar em que escrevia meu saudoso blog, Cocaína sem glútem, que eu só fui descobrir que era com n semanas depois de o criar rs. Mantive até o erro na capa do livro de poemas na mesma pegada dos contos daquela época. Sabor Cocaína. Não me vejo postando contos inteiros (tão pessoais) daquele tamanho na internet assim outra vez (porque a internet mudou, não eu), mas espero que os jovens continuem a escrevê-los assim. Que postem no tal Wattpad, que eu nunca utilizei, e não vejo mais motivos, mas que ao mesmo tempo gosto bastante da existência enquanto ideia. Que saiam mais sucessos de lá, e que muita gente possa curtir suas fanfics. Adoraria ler fanfics sobre meus mundos feitas com boa fé.
Há o YouTube. Ele eu penso separado. Esse eu também vi chegando. 2006 e 2007 era basicamente um lugar que a gente usava na lan house e no fliperama para ouvir Stratovarius, ver vídeos de paródias do Chaves e de comédia, como gafes ao vivo, e vídeos tipo "tapa na pantera". No começo não tinha muito mais. Mesmo em 2008, quando usei pra rever Shurato, ainda eram vídeos de 10 minutos, que ninguém além da Disney ficava fiscalizando direitos autorais. Pra vocês terem noção lembro que aparecia recomendado pra mim, direto, o filme Titanic upado em dúzias de partes de 10 minutos! Lembro dos meus amigos em 2009 botando pilha da gente criar um canal, mesmo que nem usássemos esse termo. Provavelmente teríamos tido sucesso do jeito errado se o fizéssemos. Nunca saberemos. Mas lembro bem que tudo mudou em 2010 com o PC Siqueira, e em menor medida com o Felipe Neto. Até eles o máximo que havia ainda eram vídeos mais amadores no melhor sentido da palavra, como do Coelho e Pedroso. Ou produções animadas de internet, como os irmãos Piologo. Tudo mudou muito nessa época, e seguiu mudando com Cocielo e Castanhari, até que fugiu do controle observável e dominou o mundo.
Muita gente não sabe, mas o Youtube tentou ser rede social. O Google +. Eu só não esqueço porque conheci e desembolei com alguém maravilhosa nele, e aí marcou. Eu lamento isso ter dado errado. Se o YouTube fosse tão forte em texto quanto é em vídeo, o mundo seria outro pra quem escreve. Talvez até um pouco da sociedade em si fosse outra. O YouTube mudou várias e várias vezes desde então. Ficaria aqui o dobro do tempo que já fiquei só pra falar disso. Não sou youtuber, foda-se. Mas talvez um dia seja. Talvez um dia todos sejamos. Não sei bem. Me parece que substituiu a TV aberta mesmo pra gente de classe E. Não vejo eles perdendo esse mercado comigo vivo, nem o Cazé na Twitch arranhava isso. E não vejo nada estável no que veem de big techs. Acho que o quanto antes vou subir nem que sejam meus reels do instagram no YouTube também. Se eu for criar conteúdo para lá, será algo completamente à parte da ideia desse texto.
E eu já poderia terminar. Deveria. Mas preciso falar do famigerado Tiktok. Nunca tive. Nunca usei. Baixei uma vez para fins de ver uma garota em específico ali por vinte minutos, para não mentir pra vocês rs. Vou mudar isso. Não pretendo ter vida social no Tiktok. Não pretendo nem mesmo ter uma página de escritor completa. Mas como eu estou trabalhando também, com um lançamento de um livro em inglês, acho que é um lugar importante para se posicionar, e tentar arrumar um lugar no mercado. Como já vou gravar um video em inglês pro instagram/reddit, não vejo porque não o utilizar lá também. A gente tem que tentar.
Se eu puder deixar uma dica final, o que eu posso, visto que é tudo meu aqui, eu digo que a melhor rede social sempre será ir pra um bar em que não se conhece ninguém, completamente sozinho. Façam isso pelo menos uma vez, caso também não possam fazer todo dia.
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